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Santa Catarina, entre os estados do Paraná e do Rio Grande do Sul,
localizado na região Sul do Brasil, tem atraído diversos visitantes
desde a época do descobrimento do país. Inicialmente, em 1514
o estado foi batizado de Ilha dos Patos pelos portugueses Nuno Manuel e Cristóvão
de Haro. Um ano depois onze náufragos da expedição de Juan
Díaz de Solís ficaram no local, os quais começaram uma
intensa miscigenação com os índios carijós. A tribo
era exímia na confecção de redes, esteiras e cestos, costume
que permanece até os dias atuais.
A partir de 1549 os índios da região começaram a ser catequizados
pelos jesuítas sob a chefia do padre Manuel da Nóbrega. Apesar
do empenho dos padres e de os estudos terem se colocado como um obstáculo
à escravização, os portugueses não conseguiram,
contudo, desempenhar bem sua tarefa, desistindo da catequese no sul.
Como o Brasil foi dividido em capitanias hereditárias, a costa catarinense
até Laguna e dois terços da do Paraná formaram a capitania
de Santana, doada a Pero Lopes de Sousa, o qual não providenciou a colonização
da região. Dessa forma, no começo do século XVIII as terras
foram compradas pela coroa portuguesa, decisão que não agradou
a Espanha, que se considerava dona do território.
Assim, várias expedições espanholas ficaram por algum tempo
no estado. Diogo Sanabria recebeu até mesmo a missão de colonizar
o Rio da Prata e de povoar também o porto de São Francisco do
Sul. Dois anos depois, o grupo partiu para o Paraguai sob ameaça de ataque
pelos silvícolas.
Liderada pelo português Manoel Lourenço de Andrade, que tinha uma
procuração para estabelecer ao sul uma povoação
que denominou Nossa Senhora da Graça do Rio de São Francisco,
em 1658 deu-se a primeira fundação estável da costa catarinense.
Já o paulista Francisco Dias Velho estabeleceu-se na ilha por volta de
1675 e ergueu uma igreja em Nossa Senhora do Desterro, atual Florianópolis.
É ainda atribuída a ele, porém sem certeza, a mudança
do nome da Ilha dos Patos para a Ilha de Santa Catarina, já que tinha
uma filha com o mesmo nome.
O também paulista Domingos de Brito Peixoto na mesma época organizou
uma bandeira para tomar as terras desabitadas ao sul e fundou em 1676 Santo
Antônio dos Anjos de Laguna, conhecida atualmente apenas pelo último
nome. A povoação vivia de uma agricultura rudimentar e da exportação
de peixe seco para Santos e para o Rio de Janeiro. Apesar de pequena e pouco
habitada, o local tornou-se o núcleo mais importante da costa catarinense
no início do século XVIII, posição que entrou em
decadência por causa da abertura do caminho entre as pastagens do Rio
Grande do Sul e o planalto paulista em 1728.
Em 1726 Nossa Senhora do Desterro foi elevada à vila e em 1738 aconteceria
o grande salto da história catarinense com o governo do brigadeiro José
da Silva Pais, vindo do Rio de Janeiro. As primeiras modificações
de seu comando tiveram caráter militar. É do uniforme das milícias,
e especialmente da cor do colete, que deriva o apelido dos habitantes da terra,
conhecidos como barriga-verde.
Com o objetivo português de fortalecer os povoados, Laguna foi elevada
à categoria de vila em 1774, de onde partiram expedições
até a colônia do Sacramento e Montevidéu.
Como desde o começo do século XVIII Santa Catarina esteve sob
o comando da capitania de São Paulo, os habitantes da região tiveram
seus filhos obrigados a suprir tropas das lutas no Prata. Nesse episódio,
por razões estratégicas, toda a costa meridional brasileira passou
à jurisdição direta do Rio de Janeiro. Também era
importante a ocupação eficaz de todo o território. Por
isso se deu a imigração açoriana, de 1748 a 1756, com a
maior parte dos cinco mil açorianos que aqui chegaram instalando-se na
ilha.
Com as três fundações litorâneas já povoadas
até a segunda metade do século XVIII, Don Luís António
de Sousa Botelho Mourão, o Morgado de Mateus, governador da capitania
de São Paulo, resolveu povoar o sertão do estado, interessado
principalmente em garantir o domínio português na região
e o escoamento do gado do Rio Grande do Sul para São Paulo. Dessa maneira,
encarregou Antônio Correia Pinto da missão de povoar Lages. Guaratuba,
mais ao litoral, também foi povoada por sua ordem. Em 1775 foi fundada
a Vila de Nossa Senhora dos Prazeres de Lages. A vila era basicamente composta
por fazendas de criação de gado, mas vegetou ao longo de um século
inteiro por ficar sem comunicação, perdida no interior, com precária
ligação com Curitiba e São Paulo.
Mal defendida e abandonada por Portugal, Santa Catarina, ao longo da guerra
entre Portugal e Espanha, foi tomada por Pedro de Zeballos em 1777 sem resistência
alguma, exceto por Laguna. Um ano depois, Portugal garantiu suas terras novamente.
Com atividades simples e rudimentares, basicamente formada pela pesca e pela
agricultura, toda a capitania enfrentou na segunda metade do século XVIII
um longo período de estagnação. Nas primeiras décadas
do século XIX, porém, a situação havia progredido
um pouco, sem haver casos de miséria gritante ou de grandes fortunas.
Com a passagem de Lages à jurisdição do governo da ilha
em 1820, a região passou a ter uma configuração próxima
à da atual e toda a serra catarinense deixou de ser comandada por São
Paulo. Depois da independência do Brasil, em 1829 iniciou-se a colonização
de Santa Catarina pelos imigrantes alemães, sob o comando do brigadeiro
Francisco de Albuquerque Melo. Dois anos depois se deu o lançamento do
primeiro jornal publicado na região, dirigido pelo capitão Jerônimo
Francisco Coelho, com o título de O catarinense.
Graças ao movimento farroupilha acontecido no Rio Grande do Sul de julho
a novembro de 1839, Laguna foi ocupada pelos revolucionários, que proclamaram
no local a República Juliana, aliada à de Piratini. É dessa
época Ana de Jesus Ribeiro, mais conhecida como Anita Garibaldi, moradora
da região que uniu sua vida à de Giuseppe Garibaldi. Lages também
aderiu à revolução, mas submeteu-se no começo de
1840. Em 1845 a revolução já havia cessado.
Em 1849 Joinville foi fundada. Um ano depois foi a vez de Blumenau e em 1860
a de Brusque. Na década de 1870 Santa Catarina tinha aproximadamente
160 mil habitantes em 20 municípios e, com a proclamação
da República, o número foi para cerca de 200 mil. Porém
as vilas e cidades litorâneas viviam da pesca, da lavoura e do comércio
de subsistência, todos sem grande expressão. Além disso,
as freqüentes mudanças na administração prejudicavam
o progresso catarinense.
Quanto aos escravos, a ilha contava com apenas 20% deles em sua população
total. A partir de 1870 desenvolveu-se com intensidade a campanha abolicionista
e o jornal O abolicionista foi criado. Em 24 de março de 1888 na capital
da província foi constatado que não havia mais um só escravo.
Com o impulso da imigração, houve planos de ocupar os espaços
vazios da ilha desde o começo do século XIX. A primeira tentativa
deu-se com 166 famílias alemãs em 1829, as quais foram para São
Pedro de Alcântara, seguida por outras também alemãs e italianas.
Embora muitos estrangeiros tenham se integrado às comunidades tradicionais
e tenha ocorrido a caboclização, a maioria das colônias
passou a ter características marcadas e um ambiente próprio.
Em 1850, reunidos por Hermann Blumenau, os primeiros colonos passaram a ocupar
as margens do rio Itajaí-Açu, formando núcleos fabris.
A vila daria origem mais tarde a Blumenau. O mesmo progresso pôde ser
visto nas terras herdadas pela princesa Dona Francisca como dote de casamento.
Em 1851 começaram a chegar os primeiros colonizadores ao local, formados
basicamente por alemães, suíços e noruegueses. Em 10 anos
a colônia já contava com três mil habitantes, 70 engenhos
de mandioca, 30 de açúcar e mais de 30 fábricas. O sul
da província teve sua colonização no fim do século
XIX pelos italianos, que se dedicavam à lavoura e à vitivinicultura.
Com a proclamação da República em 1889, nomeado por Deodoro
da Fonseca, o primeiro governador do Estado de Santa Catarina foi o tenente
Lauro Severiano Müller, que deixou o cargo com a saída de Deodoro,
dois anos mais tarde. Por causa da revolução federalista do Rio
Grande do Sul, o estado catarinense passou por uma época de instabilidade
política e foi também palco de vários episódios
por conta do movimento. Na época Desterro foi proclamada a capital provisória
da República e em 1894 o coronel Antônio Moreira César assumiu
o governo do Estado e exerceu suas funções com mãos-de-ferro.
Pouco depois Hercílio Luz elegeu-se governador catarinense. Na mesma
época a capital do estado passou a se chamar Florianópolis em
homenagem a Floriano Peixoto, então presidente da República. Foi
também nesse período que ocorreu um dos embates mais importantes
da história do estado catarinense, a Guerra do Contestado, entre a população
cabocla e os representantes do poder estadual e federal brasileiro, com destaque
para a figura do beato João Maria.
Durante o movimento revolucionário de 1930 no Rio Grande do Sul, o estado
de Santa Catarina foi invadido pelas forças que colocaram Getúlio
Vargas no poder. Florianópolis resistiu com bravura ao avanço
gaúcho até a revolução triunfar em todo o território
brasileiro. Assim, de 1930 a 1945 o Estado foi governado por interventores federais.
Somente entre 1935 e 1937 o governo foi entregue ao governador eleito Nereu
Ramos.
Em 1960 uma grande área do estado localizada no meio e no extremo oeste,
que vivia escassamente povoada e com grandes dificuldades, passou a ter importância
cada vez maior, pois passou a ser ocupada por colonos estrangeiros e gaúchos.
Na mesma época a educação também deu um grande salto
com a criação da Universidade Federal de Santa Catarina e de outras
instituições educacionais por todo o estado.
Pela destruição das matas catarinenses, em julho de 1983 a região
foi atingida por uma das mais graves enchentes de sua história, com a
maioria dos 199 municípios da época tendo declarado estado de
calamidade pública.
Graves conflitos pela posse de terra entre lavradores e proprietários
rurais desenvolveram-se em meados da década de 1980, de modo geral acompanhados
por situações de violência e invasões de fazendas.
Redação: Marília G. Boldorini.
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